O funk é hoje uma das maiores manifestações culturais de massa do nosso país e está diretamente relacionado aos estilos de vida e experiências da juventude de periferias e favelas. Para muitos, além de diversão, o funk é também perspectiva de vida, pois assegura empregos direta e indiretamente. Além disso, promove algo raro na sociedade atualmente que é a aproximação entre classes sociais diferentes, entre asfalto e favela, estabelecendo vínculos culturais muito importantes, sobretudo em tempos de criminalização da pobreza. Neste domingo, 17, um dos principais nomes do cenário funk no Brasil, o Dj Tubarão, apresenta em Cuiabá o melhor do estilo característico da música negra norte-americana, que se desenvolveu a partir de meados dos anos 1960 por artistas como James Brown, com a mistura de soul, jazz, entre outros. O show ocorre no Longe Canela Fina, a partir das 22h. E uma coisa é certa: onde ele toca ninguém fica parado. “Tubarão comemora a disseminação do ritmo pelo mundo afora, fazendo hoje mais de 40 apresentações por mês”, comenta a diretora do Canela Fina, Patrícia Garcia, ressaltando que na agenda de shows do artista, estão incluídas as principais casas noturnas do Rio, São Paulo, Brasília, Goiânia, Salvador, Porto Alegre, Belém do Pará, Roraima, Distrito Federal e Mato Grosso.Ramon Júnior começou sua carreira com 16 anos, quando já se destacava como Dj. Em 1994 foi convidado a participar do programa Xuxa Hits, se projetando então para todo o país. Começava assim a história do Dj Tubarão. O funk arrumava as malas e partia do Rio de Janeiro para as principais capitais brasileiras e cidades do interior. Dali, foi um pulo para os gringos ficarem curiosos com as batidas do “pancadão”, e, rapidamente o Dj viajou ainda mais longe com o seu som. Os Estados Unidos paravam pra dançar – e muito – ao som do funk. Miami, Orlando, Nova York, Boston, Nova Jersey, todos já conhecem bem o Dj Tubarão. Em 2008 foi a vez da Austrália e do Japão e desde 2000, comanda um programa diário líder de audiência na rádio carioca FM, O Dia. O ritmo - Na década de 1980, o funk recebe influência da Flórida, com um som mais rápido e letras erotizadas, o Miami Bass. Nessa época os bailes, que eram realizados nos bairros das periferias, expandem-se para as ruas, a céu aberto com equipes de sonorizaçao disputando a altura do volume do som e aparelhagem mais potente, destaca-se nessa fase a equipe do DJ Marolboro. As músicas tratavam de temas do cotidiano dos frequentadores dos bailes funk e criticavam tanto a pobreza quanto a violência. Época chamada também de “música de preto” ou “som de preto”, numa referência ao tom afro dos conteúdos das letras e dos adeptos do estilo.A partir de 1995 aconteceu a grande fase do funk carioca. A partir daí a música passa a ser executada em emissoras de rádio com frequência AM. O que parecia ser um modismo "desceu os morros", chegando às áreas nobres do Rio de Janeiro. A equipe Furacão 2000 fazia grande sucesso e foi responsável por levar o ritmo para fora do Rio de Janeiro. Artistas como Claudinho e Buchecha, Cidinho e Doca, entre outros, tornaram-se referência nessa fase áurea, período em que houve, paralelamente, grande adesão a uma corrente bem controvertida, o proibidão, cujos temas estavam vinculados ao tráfico de drogas, exortação às guerras de torcidas de futebol e às equipes de sonorização inimigas, ambas com forte apelo erótico e desvalorização do papel da mulher na sociedade carioca.Das favelas à cidade, o funk consolidou um modo novo de comportamento, contestacão social e rebeldia jovem. O negócio musical tornou-se, além do fundo político, a principal porta de entrada dos jovens da periferia carioca para o mundo do trabalho, com uma carga absolutamente extenuante e rotina de viagens para shows na Europa, Asia e Estados Unidos, que são dignos do verdadeiro showbusiness.
SEJA BEM VINDO AO MUNDO FUNK
QUEM VIER, DE ONDE VIER, QUE VENHA EM PAZ!!
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